Muita gente confunde o padrão de entrada de energia, aquele quadro de medição usado por residências e pequenos comércios, com uma subestação particular. São coisas bem diferentes, e entender essa diferença é o primeiro passo para saber se a sua empresa precisa investir em uma subestação. Neste artigo explicamos o gatilho legal que obriga esse investimento, os tipos de subestação disponíveis e o que muda com a atualização recente da NR-10.
Padrão de entrada x subestação particular
O padrão de entrada é a ligação em baixa tensão, usada por unidades consumidoras do Grupo B: residências, lojas, pequenos escritórios. A energia chega já pronta para uso, sem necessidade de transformação dentro do imóvel.
Já a subestação particular entra em cena quando a unidade consumidora passa a fazer parte do Grupo A, ou seja, é atendida em média ou alta tensão. Nesse caso, a energia chega "crua", em tensão elevada, e é a própria empresa quem precisa ter um transformador (e toda a estrutura de proteção ao redor dele) para rebaixar essa tensão a um nível utilizável pelos equipamentos internos.
Em resumo: padrão de entrada é infraestrutura de baixa tensão para o consumidor comum. Subestação é infraestrutura de média ou alta tensão para quem consome mais energia do que a rede de baixa tensão consegue entregar com segurança.
O gatilho legal: carga acima de 75 kW
A Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL, que consolidou as regras de fornecimento de energia no Brasil, define os consumidores do Grupo A como aqueles atendidos em tensão igual ou superior a 2,3 kV. Na prática, o critério que dispara essa obrigatoriedade é a carga instalada (ou a potência instalada de geração, no caso de quem tem geração própria): quando ela ultrapassa 75 kW, o fornecimento passa a ser obrigatoriamente feito em tensão primária, ou seja, em média tensão.
Isso significa que empresas com carga instalada acima desse limite não têm escolha: precisam ter uma subestação própria para rebaixar a tensão recebida da concessionária até o nível usado pelos seus equipamentos, iluminação e demais cargas.
As faixas de tensão primária variam conforme a demanda contratada:
- De 2,3 kV a menos de 69 kV, para demanda contratada de até 2.500 kW.
- Igual ou superior a 69 kV, quando a demanda contratada ultrapassa 2.500 kW.
Ou seja, quanto maior o porte da operação, maior tende a ser a tensão de conexão exigida pela concessionária.
Como isso funciona na área da CELESC
Dentro da área de concessão da CELESC, consumidores de médio porte costumam ser atendidos em 13,8 kV ou 23 kV. Segundo normas técnicas da concessionária, o sistema de 69 kV atende faixas de demanda mais elevadas, na casa de poucos megawatts, enquanto o de 138 kV é reservado para demandas ainda maiores. Como esses valores podem variar conforme o ponto de conexão e as características de cada projeto, recomendamos sempre validar os valores exatos de tensão e demanda diretamente com a concessionária ou com um profissional habilitado antes de fechar o projeto.
Um ponto que costuma gerar dúvida é o fator de potência: a regra da ANEEL exige que ele fique entre 0,92 indutivo e 0,92 capacitivo. Ficar fora dessa faixa pode gerar cobrança de energia reativa excedente, então o projeto da subestação já deve prever banco de capacitores quando necessário.
Vale lembrar também que a CELESC permite, mediante conveniência técnica e econômica, que uma subestação seja compartilhada entre mais de um consumidor, seja ele do Grupo A ou do Grupo B. E, para qualquer projeto que fuja do padrão-tipo da concessionária, é exigido um estudo de cálculo de demanda assinado por profissional habilitado, com a respectiva ART ou DRT.
Tipos de subestação: qual escolher
Depois de confirmado que a empresa precisa de subestação própria, o próximo passo é escolher o tipo mais adequado ao porte e ao terreno disponível. As opções mais comuns são:
- Abrigada em alvenaria: construída como uma sala técnica dentro ou anexa ao imóvel. Costuma ser a escolha de indústrias e grandes comércios que já têm espaço construído reservado para isso.
- Abrigada modular ou metálica: uma cabine pré-fabricada, mais rápida de instalar e com pegada menor no terreno. Boa opção quando não há tempo ou espaço para obra civil.
- Ao tempo: instalada ao ar livre, sobre estrutura metálica, normalmente usada em terrenos maiores, como indústrias e usinas de geração.
- Unitizada: equipamentos integrados em um único conjunto compacto, indicada para quem precisa de instalação rápida e ocupação mínima de área, como condomínios e pequenos e médios negócios.
A escolha depende de fatores como a demanda contratada, o espaço físico disponível, o orçamento e as exigências específicas da concessionária para aquele ponto de conexão. Todo esse dimensionamento deve constar em projeto técnico com ART, conforme a NBR 14039, norma que rege as instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV, cobrindo desde o projeto até o aterramento, o seccionamento e a manutenção periódica. Para conexões acima de 36,2 kV, como 69 kV ou 138 kV, não existe uma NBR específica: o projeto segue as especificações técnicas da própria concessionária e as boas práticas internacionais de engenharia.
NR-10 atualizada: o que muda para quem tem subestação
Quem já tem, ou está planejando construir, uma subestação precisa ficar atento à atualização da NR-10, publicada pela Portaria MTE nº 737/2026, que revoga as portarias anteriores de 2004 e 2016. A norma entra em vigência geral em junho de 2027, mas o prazo de adequação já deve entrar no radar de qualquer empresa com instalação de média ou alta tensão.
Entre as principais mudanças estão:
- O risco de arco elétrico passa a ter o mesmo nível de prioridade do risco de choque elétrico, com um novo anexo que traz tabelas de EPI conforme a energia incidente calculada segundo a NBR 17227.
- O Prontuário de Instalações Elétricas (PIE) se torna obrigatório especificamente para quem atua no Sistema Elétrico de Potência ou em instalações de média e alta tensão, documento que também já é exigido pela NBR 14039 para subestações.
- Passa a ser exigido curso complementar SEP de 40 horas para profissionais que trabalham em subestações de alta tensão.
Na prática, isso significa que empresas com subestação própria vão precisar revisar seu Programa de Gerenciamento de Riscos, atualizar o PIE e garantir que a equipe (própria ou terceirizada) tenha a qualificação exigida, tudo isso até junho de 2027.
Florianópolis: demanda crescente por conexões em média tensão
A Grande Florianópolis vem passando por um crescimento significativo de indústrias, condomínios, grandes comércios e usinas de geração distribuída solar. Aliás, a região lidera a geração solar distribuída no país, respondendo por uma fatia expressiva da capacidade instalada de Santa Catarina. Esse movimento aumenta a quantidade de empreendimentos que ultrapassam o limite de carga da baixa tensão e passam a precisar de conexão em média tensão, seja para consumo, seja para injetar energia solar de grande porte na rede.
Se a sua empresa está crescendo, ampliando maquinário, instalando carregadores de veículos elétricos ou planejando uma usina solar de maior porte, vale calcular com antecedência a carga instalada prevista. Descobrir depois da obra que será necessária uma subestação costuma custar mais caro e atrasar a operação.
Conclusão
Saber se a sua empresa precisa de uma subestação passa por entender a carga instalada, o tipo de atividade e as regras específicas da CELESC para a sua região. Como o dimensionamento e a aprovação do projeto exigem profissional habilitado e ART, o caminho mais seguro é contar com quem já lida com esse tipo de instalação no dia a dia.
A Gelux Engenharia Elétrica pode ajudar sua empresa a avaliar a necessidade de subestação, calcular a demanda e conduzir o projeto junto à CELESC, já pensando também na adequação à nova NR-10. Fale com a nossa equipe e entenda qual é o próximo passo para a energia da sua empresa em Florianópolis e região.