A frota de carros elétricos e híbridos cresce rápido em Florianópolis e na Grande Florianópolis, e junto com ela aumenta a dúvida mais comum de quem compra um desses veículos: como instalar um carregador de carro elétrico em casa ou na empresa com segurança e dentro das normas. Não é só comprar o equipamento e ligar na tomada mais próxima. Existe uma norma técnica específica para isso, exigências da distribuidora de energia e, em alguns casos, regras de condomínio e de segurança contra incêndio que precisam ser observadas antes de qualquer instalação.
Neste artigo você entende o que muda na prática, do ponto de vista elétrico e regulatório, para instalar um ponto de recarga residencial ou comercial na região de Florianópolis.
O que a NBR 17019 exige do seu carregador
Desde 2022, o Brasil tem uma norma dedicada a instalações elétricas para veículos elétricos: a ABNT NBR 17019:2022, publicada pela ABNT/CB-003 e baseada na norma internacional IEC 60364-7-722:2018. Ela não substitui a NBR 5410, que continua sendo a norma geral de instalações elétricas de baixa tensão, mas complementa essa norma justamente nos pontos de recarga veicular.
Os pontos centrais que a NBR 17019 estabelece são:
- Circuito elétrico exclusivo para o carregador, é proibido dividir esse circuito com tomadas de uso geral da casa ou do estabelecimento.
- Disjuntor, DR (dispositivo residual, o famoso "DR") e DPS (dispositivo de proteção contra surtos) próprios do circuito, dimensionados conforme a corrente do carregador.
- Atenção especial ao tipo de DR: carregadores veiculares podem gerar fuga de corrente contínua, e essa corrente pode "cegar" um DR comum de classe AC, fazendo com que ele deixe de proteger a instalação como deveria. Por isso a norma exige um DR tipo B ou uma solução de proteção equivalente para esse tipo de risco.
Essa é a resposta direta para uma pergunta muito frequente: dá para ligar o carregador numa tomada comum? Segundo a NBR 17019, não. O circuito precisa ser dedicado, com proteção própria, exatamente pelos riscos elétricos que um carregador de alta potência pode gerar se for instalado de forma improvisada.
Outro ponto que a norma reforça é a responsabilidade técnica: o projeto e a execução da instalação devem ficar a cargo de um engenheiro eletricista ou profissional habilitado no CREA, com a respectiva ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Isso vale tanto para uma instalação residencial simples quanto para um projeto comercial maior.
Passo a passo: da instalação elétrica existente ao aviso à Celesc
Antes de comprar o wallbox, vale seguir uma sequência prática:
- Avaliar a instalação elétrica existente. Um profissional habilitado verifica se o quadro de distribuição, o padrão de entrada e a fiação suportam a carga adicional do carregador sem sobrecarregar o sistema.
- Dimensionar o circuito conforme o carregador escolhido. Um wallbox monofásico de 7 kW em 220V trabalha com corrente próxima de 32A. A prática de mercado nesse cenário costuma indicar um disjuntor com margem de segurança, como 40A, e cabos de cobre com seção mínima de 6 mm², mas esse dimensionamento final sempre depende do projeto elétrico específico daquele imóvel, da distância até o quadro e de outros fatores técnicos.
- Instalar as proteções exigidas pela NBR 17019, incluindo o DR adequado ao risco de corrente contínua, o DPS e o disjuntor dedicado.
- Comunicar a Celesc antes de qualquer ligação nova ou alteração de carga. A Celesc tem uma norma técnica própria, a I-321.0043, voltada especificamente a estações de recarga de veículos elétricos, tratando do padrão de entrada. Na prática, isso significa que instalar um carregador residencial ou comercial pode representar um aumento de carga que precisa ser comunicado previamente à distribuidora, além do cadastro da estação de recarga junto à ANEEL.
- Guardar a documentação técnica, incluindo a ART do profissional responsável, para eventual fiscalização, seguro ou revenda do imóvel.
Vale lembrar que a regulação federal do setor também já trata do tema: a REN ANEEL nº 1.000/2021, que revogou a antiga REN 819/2018, tem um capítulo específico sobre recarga de veículos elétricos e permite que qualquer interessado preste esse serviço, inclusive de forma comercial, com preços livremente negociados entre as partes.
Casa própria x condomínio: o que muda
Instalar um carregador de carro elétrico em uma casa costuma ser mais simples, já que a decisão e o custo ficam concentrados no próprio morador, desde que o projeto e a execução sigam a NBR 17019 e sejam feitos por profissional habilitado.
Em condomínios, o cenário muda um pouco. Quando a instalação de um ponto individual não exige reforço da infraestrutura elétrica comum do prédio, o custo normalmente fica com o próprio morador interessado. Já quando é necessário reforçar o sistema elétrico coletivo, como o quadro geral ou a subestação do condomínio, o assunto costuma passar por aprovação em assembleia, já que envolve área e infraestrutura comuns.
Alguns estados brasileiros têm leis específicas que facilitam esse processo para o morador, mas essas regras variam de lugar para lugar e não devem ser generalizadas para Santa Catarina sem confirmação. O caminho mais seguro em Florianópolis continua sendo apresentar ao condomínio um projeto técnico elaborado por profissional habilitado, alinhado às normas da ABNT e às exigências de segurança contra incêndio vigentes no estado.
Segurança contra incêndio: atenção à nova norma do Corpo de Bombeiros
Um tema que tem ganhado força em Santa Catarina é a segurança contra incêndio em pontos de recarga veicular, especialmente em garagens fechadas de condomínios e comércios. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) vem trabalhando em uma instrução normativa específica para sistemas de alimentação de veículos elétricos, tratando de requisitos de segurança contra incêndio para esse tipo de instalação.
Como essa norma ainda está em processo de consolidação, com informações que variam conforme a fonte sobre o estágio exato de tramitação, o mais prudente para quem pretende instalar um carregador em um prédio, condomínio ou comércio em Florianópolis é confirmar o status atual diretamente com o Corpo de Bombeiros ou com um profissional habilitado antes de fechar o projeto. Isso evita retrabalho caso a instalação precise se adequar a novas exigências de segurança contra incêndio depois que a norma entrar em vigor.
Por que a demanda por carregadores cresce tanto em Florianópolis
Esse cuidado todo com norma, projeto e documentação faz sentido diante do que está acontecendo na região. Florianópolis já reúne uma frota de veículos elétricos maior que a de 14 estados brasileiros inteiros, sinal de que o carro elétrico deixou de ser exceção na cidade.
Em Santa Catarina como um todo, as vendas de veículos elétricos cresceram 45% em 2025, e as buscas por elétricos 0km no primeiro trimestre de 2026 subiram 63,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Vale notar que, desse interesse, a maior parte ainda está concentrada em híbridos, cerca de 73%, enquanto os elétricos puros respondem por 27%, mas a curva de crescimento é a mesma para os dois perfis de veículo.
A própria Florianópolis também avançou na infraestrutura pública, com a aprovação de 34 novos pontos de recarga em áreas públicas via credenciamento de empresas privadas, dentro de um plano mais amplo de expansão de eletropostos na cidade. E no âmbito federal, a ANEEL abriu, entre dezembro de 2025 e março de 2026, a Consulta Pública CP 42/2025, propondo mudanças nas regras de conexão de carregadores à rede elétrica, com temas como mapas de disponibilidade da rede e mais transparência para quem quer instalar estações de recarga comerciais. É uma proposta ainda em tramitação, não uma norma vigente, mas indica que as regras para eletromobilidade devem ficar mais claras nos próximos meses.
Conclusão
Instalar um carregador de carro elétrico em Florianópolis ou na Grande Florianópolis envolve mais do que escolher o equipamento certo: exige projeto elétrico dedicado conforme a NBR 17019, proteção adequada contra os riscos específicos desse tipo de carga, comunicação prévia à Celesc quando há aumento de carga, e, em condomínios, alinhamento com as regras internas e com a segurança contra incêndio.
Se você está avaliando instalar um ponto de recarga residencial ou comercial e quer um projeto elétrico seguro, dentro da NBR 5410 e da NBR 17019, a Gelux Engenharia Elétrica pode ajudar a avaliar sua instalação, dimensionar o circuito correto e conduzir todo o processo, incluindo a comunicação com a distribuidora. Fale com a Gelux e tire suas dúvidas antes de dar o próximo passo.